terça-feira, 21 de março de 2017

O Acordo, uma amiga.

O sol já despontava nas colinas da cidade de Platina quando um homem olhando em seu relógio com claro  sinal de impaciência se pergunta , teria ele escolhido o melhor caminho? Afinal muito dinheiro havia sido ofertado! Mal podia esperar para desaparecer de uma vez por todas desta cidade que bem nenhum havia lhe trazido! O som característico da aproximação do trem já se podia ouvir, e em breve tudo não passaria de uma grande fábula mas sentiu corpo ser tomado de um arrepio ao se lembrar dá face fria de seu falecido cliente e das palavras escritas no testamento outrora escrito por suas próprias mãos, como poderia escapar das garras de filhos netos empregados? Enquanto divaga a cerca de tais acontecimentos é surpreendido pela figura de um rosto juvenil acompanhado de cabelos negros e olhos negros como noite sem lua, a garota lhe era conhecida, era uma auxiliar de biblioteca da cidade não recordava o nome dela, mas ela  parecia conhecê-lo muito! 
- Olá Lineon ! Que conta de novo? 
Lineon procurava fragmentos em sua memória do nome desta figura inquieta em sua frente, a mocinha embora fosse de estatura pequena, parecia ser ligada por fios invisíveis  à raios, relâmpagos, tornados, furacões  parecia que queria e precisava captar toda e qualquer energia informações e conhecimentos que lhe estivessem ao alcance! O nome  lhe veio a memória, ela era Eleonora, figura irrequieta mas que  não lhe oferecia perigo!
- Não vai responder não é!?
Ele todo sem jeito logo se desculpou.
-Me perdoe estava divagando, mas ouvi sua pergunta, não há nada de novo infelizmente, como sempre a corda arrebenta do lado  mais fraco,como esperado eu estou  sem emprego, e provavelmente sem provisões e na pior das hipóteses ficarei sem teto, e por fim seguirei meu destino final serei obrigado a sair desta cidade!
Olhando  Eleonora nos olhos com firmeza aguardou a reação da menina! O que lhe causou grande inquietação ela parecia estar em um de seus universos paralelos, e não respondeu apenas o olhou com mais intensidade, como uma mãe que flagra o filho em uma mentira, ela arqueia uma  de suas sobrancelhas e com ar categórico lhe disse:
- O caminho será mais fácil se não o fizeres só! Conheço seus inimigos eles se julgam donos de tudo neste lugar, monte uma estratégia não sejas tolo,  saiba que você pode contar comigo,  me chama quando quiser,  quero ser seus olhos nesta cidadezinha, sabe como me contactar!  
O pior já aconteceu, pensou Lineon, todos sabiam do testamento, e de que  ele seria o principal  beneficiado,  afinal seria ele , quem iria administrar o cumprimento de cada determinação feita pelo falecido, haviam quantias vultuosas envolvidas a serem administradas! Mas ele só conseguiria fazer isso a contento se ele estivesse longe dos abutres da família Valente! Com um sorriso carinhoso, ele falou:
-Você  não deve estar em meio a esta briga, pode se machucar, se de alguma forma eles suspeitarem que você está querendo me ajudar, pode haver consequência! Sério, não quero ser culpado se algo de ruim lhe acontecer! Somos amigos agora, ficaria arrasado se  lhe machucassem! Mas façamos um acordo, aceito que seja meus olhos nesta cidade, porém, ao primeiro sinal de perigo você recua está bem!!!?
A garota pareceria uma criança que acabou de ganhar um brinquedo balançou a cabeça em sinal de afirmação,  seguindo de um abraço inesperado que tomou o Lineon de  surpresa! Esse abraço era cheio de afeto inocente de uma criança, eles possivelmente não se veriam mais, no entanto ele pressentia que aquele pequeno gesto veio acompanhado de uma brisa suave, sim ele não queria perder ela de vista,  Eleonora se tornou um livro que ele erroneamente julgou pela capa,mas que agora gostaria de ler e saber  que aconteceria no  final! Mas o trem se aproximou e eles se despediram, ela lhe entregou​ o livro que trazia consigo e falou em tom severo:
-Deve ocupar sua mente, e cuide bem deste livro, do contrário vai ter que pagar multa! 
Eleonora ficou parada na  plataforma de embarque até Lineon à perdesse de vista ! O período previsto de viagem seria de  três dias, mas mesmo com todo desconforto valeria a pena só em saber que que estaria distante de  todos! E teria paz para execução das ordens​ do único dono das jóias da coroa! Os  advogados​ cuidadosamente escolhidos​ por seu falecido patrão estariam na cidade de  Pretórian com tudo previamente organizado, seriam tantos papéis para ler e assinar!E pensar que  Eleonora estava preocupada se ele teria com o que ocupar sua mente! Ironicamente não poderia ler o livro, livro este que ele se quer sabia o título e o autor. Abriu sua bagagem de mão e se deparou com um livro de aspecto descuidado, velho e gasto com o ​ título O Mercador de Veneza de Willian Shakespeare. Embora parecesse ser uma história promissora não poderia se ver lendo tranquilamente enquanto sua vida corre perigo, noite o convidava a dormir, e ele não relutou, segurou nas mãos  de Morfeu e caminhou na escuridão, mergulhou em um sono profundo embalado pelo som que as engrenagens do trem produzia! Sua jornada estava apenas começando.

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